Viver sem ter de dormir

Podemos viver sem dormir? Parece uma pergunta absurda, mas há 100 anos, um reputado cientista americano estava convencido de que sim. E o mundo parou para seguir a sua experiência.

Viver sem ter de dormir

Podemos viver sem dormir? Parece uma pergunta absurda, mas há 100 anos, um reputado cientista americano estava convencido de que sim. E o mundo parou para seguir a sua experiência.

1.

Há 100 anos, um reputado cientista tinha a certeza absoluta de que era possível aproveitar o tempo de outra maneira.

Se nos habituássemos a não dormir, não dormiríamos.

E isso permitiria que vivêssemos o dobro.

Dormir não passava de um dogma cultural, um hábito que se tornara força e obrigação, um desperdício de, pelo menos, um terço da vida útil.

Com método e treino conseguiríamos deixar de dormir.

2.

Não te passe pela ideia de que o homem era maluco.

Ou um cientista menor.

August Moss era um respeitável professor de psicologia na Universidade George Washington – um nome que aliás ficou para a história por ter criado o modelo de triagem, que ainda hoje vigora, dos candidatos a Medicina nos Estados Unidos.

3.

Adiante.

Em 1925, a comunidade científica acompanhou com interesse a experiência.

Sete estudantes voluntários submeteram-se a não dormir durante 60 horas consecutivas.

Para os manter acordados, Moss criou várias tarefas: jogos de cartas, caminhadas pela noite, banhos frios e pequenos choques elétricos.

Em cada período as cobaias eram avaliadas com testes de raciocínio, memória e força física.

4.

Os voluntários sofreram graves alucinações, uma irritabilidade levada ao limite, terríveis lapsos de memória e uma perda da coordenação motora.

O professor concluiu o contrário do que acreditava ser a verdade.

Afinal, o sono era uma necessidade biológica fundamental para a regeneração do cérebro.

5.

Foi apenas há 100 anos que concluímos que o sono não era uma perda de tempo, mas um suporte de vida ou, se preferires, uma outra vida.

E foi aí que entraram em campo psicanalistas, psiquiatras e (também) os engenheiros do “mal”.

Se o sono era fundamental, o que aconteceria se as pessoas fossem privadas de dormir e violentamente coagidas?

Pois…

…o que nasce para o bem tem sempre o outro lado da moeda.

Foi a partir desta experiência que se desenvolveram as mais modernas técnicas de tortura.

A polícia política de Salazar, a PIDE, formada pela Gestapo, especializou-se na nova tendência.

E os nazis levaram-na ao limite.

O professor Moss, filho de uma família numerosa da América profunda, morreria na tristeza de ter alimentado a sede do “mal” com uma experiência que tinha como objetivo utópico a luxúria de vivermos acordados para sempre.

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