A primeira e última palavra que te sai da boca

A primeira palavra que dizemos é tão importante como a última. Ou como a que não nos saiu da boca na altura certa ou a palavra de que nos arrependemos de ter dito. É um tema fascinante.

A primeira e última palavra que te sai da boca

A primeira palavra que dizemos é tão importante como a última. Ou como a que não nos saiu da boca na altura certa ou a palavra de que nos arrependemos de ter dito. É um tema fascinante.

1.

Um dos temas mais fascinantes, pelo menos para mim, são as palavras que nos saem da boca.

A primeira que dissemos.

A última que diremos.

A palavra de que nos arrependemos.

Também a que nunca dissemos por cobardia ou por termos perdido a oportunidade.

2.

A maioria de nós diz “mamã” ou “papá”.

Os bebés mais mamã.

E as bebés mais papá.

Não vale a pena grandes poesias.

Parece que a primeira palavra está ligada à facilidade fonética, é mais simples juntar os lábios e assobiar uma coisinha simples do que elaborar uma frase completa.

Como fez Einstein que só aos 3 anos abriu a boca pela primeira vez – os pais achavam-no mudo, gastaram dinheiro em médicos e terapias, mas o rapaz não reagia a nada… até ao dia em que quebrou o gelo:

“A sopa está demasiadamente quente”.

Foi o silêncio.

O quê, perguntou o pobre pai.

“A sopa está muito quente, pai”.

Mas qual a razão para só agora falares, quis saber a mãe.

“Porque até agora tudo estava em ordem”.

3.

Não te rias, isto é sério.

O filósofo John Stuart Mill, a quem o pai obrigou a aprender grego antigo aos 4 anos, orgulhou a família quando, muito antes de fazer um ano, decretou a primeira palavra.

Não foi “papá”, “mamã”, “papa” ou “miminho”, seria uma vergonha.

Foi “lápis”.

4.

Não me lembro o que disse quando disse pela primeira vez, mas vou treinando a minha última palavra…

…sabendo que nunca me aproximarei dos melhores.

Voltaire, no leito de morte, com um padre a pedir-lhe para renunciar ao Diabo, respondeu:

“Meu bom homem, esta não é a altura para fazer novos inimigos”

E Oscar Wilde, na cama de um hotel barato em Paris, com dores lancinantes por culpa de uma meningite que lhe desfez o cérebro, despediu-se assim de dois dos seus melhores amigos:

“Este papel de parede é horroroso. Um de nós vai ter de se ir embora”.

E foi-se mesmo embora.

Até amanhã.

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