Uma jogada de alto risco

O Benfica vai investir 30 milhões de euros na contratação de Marco Silva, entre prémio de assinatura e as duas temporadas do contrato. É mesmo muito dinheiro, o que obriga a um sucesso quase imediato que ninguém pode garantir.

Uma jogada de alto risco

O Benfica vai investir 30 milhões de euros na contratação de Marco Silva, entre prémio de assinatura e as duas temporadas do contrato. É mesmo muito dinheiro, o que obriga a um sucesso quase imediato que ninguém pode garantir.

Só no início da semana que vem teremos, seguramente, notícias oficiais sobre o novo treinador do Benfica, muito embora já tenhamos todos percebido duas coisas: José Mourinho vai para o Real Madrid e Marco Silva será o senhor que se segue no estádio da Luz.

Não fossem as eleições no clube da capital espanhola, marcadas para domingo, e, provavelmente, tudo já teria sido resolvido, mas há que respeitar os prazos mesmo que as conversas existam já há muito tempo e, como sabemos, nem é preciso que os protagonistas principais se encontrem ou falem diretamente para que os processos sigam o seu curso natural, porque é para isso que existem os emissários, assessores, advogados ou representantes, como os quisermos qualificar.

Tenho a certeza que a partir do início da semana que vem, muito provavelmente logo na segunda-feira tudo vai acontecer sem grandes dramas e de forma natural.

Primeiro ato: no domingo, Florentino Perez ganha as eleições para a presidência do Real Madrid e, causa efeito, confirma José Mourinho como o novo treinador dos Meregues que vão pagar os 15 milhões de euros ao Benfica pelo ano de contrato que existe entre ambas as partes e que só termina daqui a um ano.

A seguir os encarnados vão anunciar Marco Silva que, ainda esta semana, provavelmente amanhã, vai a Londres recusar a proposta do Fulham.

Mourinho volta a Madrid e regressa ao topo do mundo depois de alguns anos afastado daqueles clubes onde pode pensar em ganhar os maiores troféus do planeta futebol.

Já Marco Silva regressa a Lisboa, mas agora do outro lado da 2ª circular, para tentar ser campeão nacional pela segunda vez na sua carreira, depois de o ter sido na Grécia, ao serviço do Olympiakos, na temporada 2015/2016.

Uma coisa é certa: este novo técnico vai custar aos cofres do clube da Luz um verdadeiro camião de

dinheiro, pelo que podemos dizer, com toda a propriedade, que Rui Costa vai fazer, mais uma vez, uma aposta muito elevada à procura do sucesso que lhe tem faltado.

Vamos às contas!

Por cada época, Marco Silva vai receber 5 milhões de euros líquidos – livres de impostos – o que significa que com impostos estamos a falar de 10 milhões de euros.

A isto junta-se um prémio de assinatura mais ou menos do mesmo valor, ou seja, também à volta dos 10 milhões. Como o contrato será válido por duas temporadas estaremos a falar de 30 milhões de euros.

As duas épocas e o prémio de assinatura.

30 milhões de euros para contratar um treinador é mesmo muito dinheiro.

Se a isto juntarmos a exigência feita pelo novo técnico de que pretende ter sempre uma palavra decisiva no que diz respeito a todas as contratações percebemos que a fasquia está colocada a um nível estratosférico e com uma diminuta margem de erro.

Para além deste investimento, na contratação de Marco Silva, é preciso não esquecer a necessidade em fazer um mercado que permita dotar a equipa de alguns jogadores que necessita, como um defesa central, um lateral esquerdo, dois extremos e um ponta de lança.

E sendo verdade que há gente para ser vendida, também não deixa de ser verdade que poderemos estar a falar de mais um investimento avultado para ser feito pelo Benfica neste mercado de verão.

É evidente que para avançar por este caminho é porque existe disponibilidade para o fazer, zero dúvidas quanto a isso, mas é um caminho estreito e que obriga a ter sucesso de imediato, algo que já não tenho a certeza de que possa acontecer assim num estalar de dedos, o que transforma tudo isto numa jogada de altíssimo risco.