O militar português que faz ponto-cruz nas horas vagas

Na Marinha Portuguesa existe um militar que nas pausas e folgas faz ponto-cruz. Foi gozado e sofreu um bocadinho até que todos se renderam. A fantástica história de um corajoso marinheiro.

O militar português que faz ponto-cruz nas horas vagas

Na Marinha Portuguesa existe um militar que nas pausas e folgas faz ponto-cruz. Foi gozado e sofreu um bocadinho até que todos se renderam. A fantástica história de um corajoso marinheiro.

1.

Calculo que não tenha sido sempre fácil para o Bruno.

Um homem a fazer ponto-cruz não é habitual.

E ainda menos sendo militar na Marinha.

Ao princípio foi o bom e o bonito, podes imaginar…

…a meio de uma missão, no alto-mar, entre torpedos e a gestão dos motores…

…ou a preparar resgates cirúrgicos, controle de tráfico de droga ou abordagem a piratas no meio de imprevisíveis oceanos…

…podes imaginar os seus camaradas de armas a vê-lo a aproveitar as pausas para fazer bordados em ponto-cruz.

2.

Que grande homem é Bruno Madeira.

Sem complexos, medos ou angústias existenciais, aproveita todos os bocadinhos para tirar do saco a linha de meada e a agulha de bordar do saco.

Fá-lo entre os camaradas militares.

Fá-lo nos bombeiros de Santarém onde é voluntário há mais de vinte anos.

Fê-lo no liceu depois de aprender, aos 13 anos, a arte de bordar nas aulas de Educação Visual e Tecnológica.

Misturava-se com as meninas e alguns rapazes puseram-no irremediavelmente de lado – aposto que deixou de jogar à bola ou começou a ser convocado para ir à baliza.

Foi gozado por todos.

E a todos gozou.

É bem capaz de ter sido uma das razões para se alistar na Marinha.

3.

Hoje tem uma marca própria, o “Bis Ponto-Cruz”.

Continua a vestir a farda de marinheiro, mas começou a fazer bom dinheiro com as suas delicadas criações – algumas em superfícies originais como vidro, papel ou latas de atum.

Tem dois filhos, é casado.

Define-se como um provocador e confessa que bordar o protegeu de qualquer risco de stress.

Acredito.

E acredito também na sua completa imunidade ao preconceito.

Já ninguém se ri.

O que não tenho a certeza é se tal acontece por respeito ao seu trabalho ou aos seus músculos.

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